
Beto Feitosa
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Pura razão do sentido
Selmma Carvalho lança quinto álbum com repertório que foge do óbvio
O mapa musical mineiro ainda guarda diversas esquinas que o país precisa conhecer. Em uma delas você pode encontrar a cantora Selmma Carvalho , que está lançando seu quinto álbum, depois de um hiato de doze anos. Em “Pura razão do sentido”, Selmma promove um novo recomeço com força e brilho na voz e escolhas brilhantes no repertório.
A produção é assinada por Paulo Santos , que traz toda criatividade e sons do universo lúdico que desenvolveu (e encantou) no grupo Uakti por quase quatro décadas. “Ele trouxe uma beleza rara para os arranjos, sons que me encantaram, me seduziram e que foram construídos passo a passo, sem pressa, sem ansiedade, dando tempo para que eu pudesse me aprofundar em cada canção escolhida, criando uma intimidade sadia, canções essas que falam desses anos de buscas, questionamentos e solitude”, comemora a cantora.
Ponto comum em toda sua discografia, Selmma tem um cuidado especial na seleção do repertório, fugindo do óbvio, trazendo surpresas e tangenciando o experimentalismo sem perder a comunicação popular.
É o caso de “A Gente é Mulher”, composição de Carlos Careqa, que ganha arranjo cinematográfico de Paulo Santos com climas acompanhando a letra do sempre interessante compositor ambientado na pós-vanguarda paulistana. De São Paulo para Belo Horizonte, o hitmaker Chico Amaral assina duas. Em “Esperança”, a música mergulha no universo nordestino. Já em “A vida me deu um limão”, a festa traz um delicioso – e moderno - samba, desses para cantar junto.
Ao longo das nove músicas, Selmma traz compositores como Sérgio Moreira, Tata Fernandes, Kleber Albuquerque, Adolar Marin, Murilo Antunes , Flávio Alves e Reginaldo Bessa – nomes contemporâneos que circulam na efervescência cultural brasileira – aquela mesma que os adeptos do “não se faz mais música como antigamente” insistem em não ver ou ouvir. Também resgata um samba baiano de Ederaldo Gentil.
O universo musical de Selmma Carvalho é sempre rico e curioso, e seu brilho como intérprete traz o mesmo frescor do repertório. Quem estiver chegando na cantora só agora, pode se fazer o favor de passear com atenção pela discografia completa.

Beto Feitosa
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Minha festa
Selmma Carvalho mostra sua boa festa
Cantora e compositora mineira lança quarto CD com composições próprias e releituras
A cantora mineira Selmma Carvalho lança seu quarto álbum, Minha festa. Edição independente com produção assinada pelo violonista Rogério Delayopn, o disco de tons acústicos revela uma artista de belas interpretações e criteriosa seleção de repertório. Selmma sabe escolher com quem fazer par.
Com voz limpa e afinadíssima, Selmma buscou a obra de conterrâneos. Do Pato Fu Ricardo Koctus traz Se sorri ou chorei. Já da parceria vitoriosa de Samuel Rosa com Chico Amaral escolheu Nômade para abrir o disco, com participação de Chico César no vocal. Atenta, Selmma foi buscar contemporâneos de grande valor. Fred Martins e Francisco Bosco assinam Canção do amor doméstico, gravada em duo com o próprio Fred.Camaleão vaidoso traz assinatura de J. Velloso enquanto os irmãos Jerry Espíndola e Alzira E comparecem com a forte Assim é o coração. José Carlos Guerreiro escreveu a urbana Caminhão de lixo, que fecha o álbum.
O repertório traz duas releituras conhecidas em recriações com assinatura própria. No hit do Secos & Molhados Amor, de João Ricardo e João Apolinário, a voz precisa de Selmma aparece em ambiente camerístico formado pelo violão e ukelele de Delayon; pela flauta e cello de Felipe José e pelo piano tocado pela artista. Já Minha festa, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, ganhou clima de luau calcada na percussão de Bill Lucas e com a participação vocal de Sérgio Pererê, outro importante artista da capital mineira.
Também boa compositora, a própria Selmma assina sozinha as belas Âncora e Imperfeição. Em Paisagem pra você mostra parceria com Sérgio Moreira enquanto em A seu dispor está ao lado de Paulo Santos e Vander Lee.
A praia de Selmma é um criterioso pop que não descuida da qualidade, fazendo par com nomes como Leoni, Verônica Sabino, Fred Martins entre outros. Sem ainda ter tido merecida projeção além da capital mineira nesses 15 anos de carreira, sua discografia revela uma artista muito interessante. Minha festa aparece depois de um longo hiato de quatro anos, e segue apontando o caminho certeiro de uma voz que tem o que dizer. Se o país ainda não ouviu é mais um sinal de que os ouvidos andam preguiçosos e viciados em mais do mesmo.

Beto Feitosa
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O que será que está na moda?
A moda particular de Selmma Carvalho
Cantora mineira lança terceiro CD com repertório caprichado
Cantora mineira, Selmma Carvalho lança seu terceiro CD O que será que está na moda? cheio de boas surpresas. A produção independente, que ganhou distribuição da Tratore, capricha em um repertório com acento pop cheio de neurônios.
Selmma passeia por uma turma de compositores que primam pela qualidade. O disco traz músicas assinadas por Vander Lee, Nando Reis, Zeca Baleiro, Celso Fonseca, Ronaldo Bastos entre outros.
Grata surpresa é Túnel do tempo, primeira composição de Verônica Sabino a ganhar registro de outro artista. Dessa letra foi tirado o verso que, devidamente, batiza o disco. Selmma não se preocupa em responder a questão. Seu som é atemporal e paira acima da qualidade questionável das paradas de sucesso. A moda aqui é ter personalidade artística.
Sua música é muito bem elaborada, com um casamento bem sucedido entre instrumentos acústicos e intervenções eletrônicas. Bom exemplo é a releitura de Selmma para Polaroides, sucesso de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos que ficou conhecido na voz de Eliana Printes. Do plural Zeca Baleiro Selmma pescou Balada pra Giorgio Armani. "Além de qualquer moda", garante a cantora em nota no encarte.
O disco abre com Pra ser levada em conta, composição inédita de Vander Lee que a cantora conheceu através de uma ligação telefônica do conterrâneo. Do fértil baú de Vitor Ramil vem outra novidade, Coisas de você. "Uma descoberta, um sinal / A palavra certa / Um segredo no final", dispara a letra.
Selmma também buscou nomes alternativos de compositores inspirados. Da dupla formada por Kali C. e Suely Mesquita Selmma revela Na estrada e Não morro. Já Nesse lugar apresenta Tattá Spalla. Selmma conheceu a canção em um show que o compositor participava e ficou com a música na cabeça até registrar em seu disco. De São Paulo Selmma buscou a poesia moderna de Kléber Albuquerque, que fecha o CD com A espera.
Antenada, Selmma traz uma reciclagem de Eu daria minha vida, hit pós-Jovem Guarda de Martinha. De uma seara mais tradicional recria Imitação, samba de Batatinha imortalizado por Maria Bethânia.
Essa é a ampla praia dela. Selmma Carvalho faz parte dessa turma que imprime uma dignidade artística maior ao que se convém chamar de pop (até por falta de termo apropriado). Lapidado com carinho e talento O que será que está na moda? é uma delícia moderna e antenada. Atemporal e acima de qualquer febre de verão.